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Creio
que comecei a escrever assim que fui alfabetizada. Minha matéria preferida
era gramática, especificamente redações, o papel sempre
me atraiu.
Na adolescência escrevi vários contos, mas só conclui um.
Muitos escritos se perderam com o tempo. Durante a faculdade escrevi muito pouco
e só voltei a escrever mesmo quando fiquei viúva. Foi muito difícil
para mim perder meu marido no dia que fazíamos 9 anos de casados. Eu
tinha 34 anos, estava sem emprego, com 2 crianças de 8 e 3 anos e um
bebê de 11 meses para criar sozinha.
Assim que elas dormiam, eu me punha a fazer minha terapia ocupacional (profissão
na qual sou formada) ao sentar diante da tela do computador e colocando ali
toda minha dor e sofrimento.
Com o tempo, os temas foram se refinando e surgiram poemas, poesias, estórias
infantis, crônicas, pesquisas, etc.
Alguns anos tive esse material escondido, até que aos poucos comecei
a dividir com amigos, que me
incentivaram de alguma forma a expor os textos. Comecei a contribuir com jornais
e revistas. Foi muito interessante receber retornos através de emails
ou telefonemas sobre como estes escritos haviam ajudado algumas pessoas. Uma
delas disse que eram pérolas, pois, assim como as ostras produzem as
pérolas devido a dor e irritação do grão de areia
em seu interior, muito de meus textos nasceram como resposta a dor de meu coração.
Pude, então, sentir uma grande felicidade ao perceber que as dificuldades
que passei e a luta que ainda enfrento, puderam de alguma forma ajudar alguém...
Sinto que nada não foi em vão!
Sou formada em Terapia Ocupacional pela Universidade Metodista de Piracicaba,
desde 82. Especializei-me inicialmente na área neurológica, para
trabalhar com lesões do sistema nervoso central, em seqüelas de
paralisia cerebral, lesões medulares, derrame (AVC), síndromes
neurológicas e etc. Atualmente tenho especialização em
reabilitação Ortopédica de mão, que me permite trabalhar
com seqüelas traumáticas de mão envolvendo fraturas e lesões
do sistema nervoso periférico.
Sou muito realizada em minha profissão, mas considero a escrita algo
fundamental em minha vida, apesar de fazê-lo sem uma formação
acadêmica para tal. Digo sempre que não sou escritora, que escrevo
o que me vem a mente e o que manda meu coração. Pois acho que:
de médico, escritor e louco... todos nós temos um pouco!!!
Escrever para mim é:
tão simples e óbvio como respirar...
tão essencial quanto falar e comunicar...
tão básico como ser quem se é!
não dá para segurar!!!
E quando se está inspirada...
Quando o texto invade a alma e vem ao coração,
deve-se parar o carro... levantar-se da cama...
parar o que se esta fazendo
e escrever rapidamente...
Por que inspiração é que nem última chance:
se não se apossar dela imeditamente...
colocando-a no papel ou na tela
Ela, talvez, não volte nunca mais!!!
Renata G. Guimarães
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