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Era uma vez...uma linda borboleta, tinha as asas tão belas e transparentes,
que até dava para enxergar do outro lado. Ela adorava voar contra
o sol, assim o reflexo dos raios lhes dava diferentes cores!
Porém, ela tinha consciência que aquilo que lhe trazia mais
orgulho, também era motivo de sua maior preocupação.
Tão lindas eram suas asas, também tão frágeis
eram, sabia que precisava tomar cuidado pôr onde andava, ou melhor:
voava! Se estava ventando muito forte, ela ia sempre perto de árvores
ou então ficava em casa...
Um dia ela resolveu passear pôr um lugar que não conhecia,
tudo era tão novo e diferente, que se descuidou um pouco e caiu
numa teia de aranha. Oh! Que coisa ruim, quanto mais se mexia, mais ainda
se emaranhava! Começou a temer, viu que não conseguia se
livrar e o medo foi aumentando pois percebia pelas vibrações
dos fios, que a dona aranha se aproximava... Nossa, que susto! Jamais
vira criatura tão forte e com cara mais medonha. Que vou fazer?
Seu coração disparava e não conseguia pensar o que
poderia livrá-la daquela situação.
- Puxa vida! Pensou consigo mesma. Sou tão fraquinha, sei que nunca
vou conseguir sair desta teia daqui, ela é bem mais forte do que
eu, logo vou virar sanduíche para ela e sua família. Gostaria
de ser mais forte, assim poderia enfrentá-la. Talvez se eu pudesse
dar um soco no meio de seus 8 olhos (é crianças, vocês
sabiam que as aranhas possuem no alto de sua cabeça 4 pares de
olhos! Tomara que elas nunca precisem usar óculos!!!).
E assim, foi fechando seus olhinhos e se preparando para o terrível
momento, torcendo para tudo fosse rápido.
Quando ela sentiu o peso da aranha bem perto, algo aconteceu, e bem lá
no fundinho, encheu-se de coragem:
Não posso desistir tão fácil assim...
- Olá dona aranha, como vai a senhora?
- Estava muito mal, mas agora que você caiu em minha teia, já
estou mais feliz , respondeu ela dando uma gargalhada de prazer.
A pobre borboleta engoliu em seco, mas continuou firme em seu plano.
- Quer dizer que terei o privilégio de me tornar sua refeição?
A aranha parou, estranhando a atitude de sua presa, geralmente suas vítimas
lutavam para se livrar, e aqui estava alguém que se dizia feliz
em ser seu almoço? Balbuciou um sim, e a borboleta continuou animada,
ao perceber seu espanto.
- Pois é, assim que me prendi à sua teia, parei para admirar
sua capacidade e destreza em construir algo tão firme e sólido
de fios tão delicados. Nem a conhecia e já imaginei que
fosse um gênio na arquitetura de Teias. E agora que a estou conhecendo
pessoalmente, percebo que a senhora é muito forte e resistente.
- É??? Foi o que conseguiu emitir a surpresa aranha!
Bem, nossa amiga borboleta, se empolgando cada vez mais, não ficou
quieta e continuou:
- Lógico que sim. Olha, eu que sou assim tão fraquinha,
com minhas asinhas tão frágeis, admiro tudo que é
forte e vigoroso. Gostaria muito de poder ser como a senhora, pois admiro
tudo isso que conseguiu fazer, e ainda por cima sozinha! Não é
verdade ?
- É - Limitava-se a dizer a aranha ,como se fosse a única
palavra de seu vocabulário.
- Pena que eu seja tão sem graça, porque, provavelmente
a senhora precise de uma alimentação mais substanciosa.
E tendo eu que acabar minha vida assim, só lamento não poder
admirar mais sua teia , ou ainda conhecer as outras mais belas que a senhora
virá a construir...
E dessa forma, a borboleta foi terminando a seu discurso, na expectativa
de como tudo acabaria. Percebeu a aranha cada mais próxima dela,
vindo pôr cima de seu corpinho. Já ia se despedindo da vida
quando percebeu que a aranha cortava os fios de teia que envolviam sua
asa...
- Bem... Finalmente a aranha dizia alguma coisa, eu já almocei
hoje, e como você disse, você é muito fraquinha. Até
minha teia é mais forte que você! É melhor que vá
embora.
- Muito grata, dona aranha. Apressou-se a dizer a borboleta que já
ia alçando vôo. A senhora não se arrependerá.
Obrigada pôr tudo, e novamente, está de parabéns pôr
sua teia!
E voando o mais rápido que suas asas permitiam, tratou de voltar
logo para sua casinha e ficar lá o resto do dia, meditando em como
foi bom não desistir. Mas enfrentar as dificuldades, mesmo que
você esteja consciente de suas fraquezas e tamanho pequeno!
Renata
G. Guimarães
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