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Sei
que o que escrevo é previsível,
o português precisa ser corrigido,
não ouso me colocar como escritora,
apenas explico em minha defesa, que escrevo o que me vai
pelo coração
e o que me vem a mente.
E as palavras brotam de tal forma que não posso me calar,
preciso deixá-las dançar no papel ou na tela a minha frente.
Assim me alivio do que elas provocam aqui,
dentro de mim, e posso vê-las divertindo-se e dançando...
as letras, dando-se as mãos, formando palavras, que unem-se
em frases.
Que viram meus pensamentos...
E
em minha insanidade,
ouso crer que falam algo e torço mais ainda para que alguém
ao lê-las,
que nem desconfia que estão dançando felizes,
se impacte ou ao menos se identifique.
E sinta o mesmo que eu,
quando um dia fui beijada pelas palavras de maravilhosos
escritores.
Hoje, eu ouso beijar outros, com minha vida, minhas letras...
Portanto,
perdoem-me os eruditos, os que enfrentaram anos de estudo,
perdoem-me a arrogância ousando levar aos outros
algo que reconheço não ter estudo,
não ter preparo acadêmico mas que leva a essência de sentimentos.
Vejo tanta escrita profunda, bela, que me cala, que me constrange,
que trás lágrimas, mareja meus olhos...
Quantos livros, tantas palavras, dispostas em obras, não
posso ser mais uma,
nem poderia fazê-lo...como ousaria então tamanho sacrilégio
?
Ouçam
essa confissão e pedido de perdão: perdoem-me de coração...
E
se algum dia surgir um texto meu em algum lugar,
creiam que só queria alcançar o coração ferido,
que como o meu foi despedaçado. E que talvez ao ler sobre
o que enfrentei,
a beleza que descobri, a fé que me alcançou,
esse alguém seja fortalecido, seja renovado.
E possa como eu, sorrir entre as lágrimas e continuar,
apenas mais um pouco, apenas mais um dia lutando,
com mais esperança e assim quem sabe, ter sua necessidade
respondida,
a dor aliviada, a doença curada, a fé restaurada...
É simplesmente isso: dividir do amor, da esperança
e da vida que flui de dentro de mim e se alguém sorrir,
suspirar diante de meu texto, crescer e ver o mundo um pouco
melhor...
ficarei feliz, verei que valeu tudo que passei
e o que escrevi beijou suavemente uma vida...
"O
Senhor DEUS me deu língua de eruditos,
para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado.
Ele me desperta todas as manhãs,
desperta-me o ouvido para que ouça como os eruditos
O Senhor me abriu os ouvidos,
e eu não fui rebelde; não me retraí."
Is 50:4
POR ISSO ESCREVO !
Renata
G. Guimarães
Julho2002
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